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Sensores no cérebro comandam ratos Ao transmitir sinais sem o uso de fios, um grupo de cientistas produziu a última palavra em rato de laboratório. Trata-se de um animal que pode ser comandado por controle remoto, a uma distância de 500 metros, a pular cercas, subir árvores, passar por dentro de tubos e atravessar montes de entulho. Os pesquisadores, da Universidade de Nova York e da Universidade Drexel, afirmam que seu trabalho com implantes cerebrais poderia produzir ratos “robôs” capazes de agir em missões de resgate, vigilância via vídeo e na detecção de explosivos. Os cientistas implantaram sensores em centros críticos do cérebro que afetam os sentidos do animal e o seu comportamento. Assim, treinaram os roedores a responder aos impulsos enviados pelos implantes. Uma vez treinadas, as cobaias puderam ser facilmente controladas por um operador com um laptop transmitindo a um minúsculo receptor atrelado a cada rato como uma mochila. “Eles quase que entendiam o que queríamos que fizessem”, conta o líder da equipe de pesquisadores, Sanjiv Talwar no Centro Médico SUNY no Brooklyn. O trabalho, publicado no jornal Nature, é, na opinião dos pesquisadores, impressionante, mas os cientistas também reconhecem que as pessoas podem achar perturbadora a idéia de alguém controlar o cérebro de terceiros à distância. “É preciso ter cuidado e saber até que ponto levar pesquisas dessa natureza” — adverte o neurologista Richard Andersen, do Instituto Técnico da Califórnia . “As implicações são um tanto assustadoras”. A técnica de estímulo cerebral usada para condicionar os ratos de laboratório poderia quase que certamente funcionar em outras espécies, inclusive a humana, afirmou Paul W. Glimcher, especialista em neurobiologia de tomada de decisões da Universidade de Nova York. “É isso que incomoda.” — explicou Glimcher. “Surge o questionamento se uma tecnologia assim poderia ser usada para enfraquecer a autonomia de tomada de decisões do indivíduo.” Até agora, os cientistas “ouviam” os sinais elétricos gerados pelas células do cérebro. O que estamos vendo aqui são cientistas falando diretamente a essas células. Os roedores podem até ser comandados para superar seu instinto de conservação e se aventurarem em áreas abertas e bem iluminadas — ambientes que, tipicamente, evitariam. Na opinião de vários especialistas, pode ser mais um presságio do que está por vir, à medida que um crescente número de pesquisadores do cérebro aprende cada vez mais como manipular esse órgão responsável pelo pensamento e comportamento. Na opinião de Arthur Caplan, diretor do Centro de Bio-ética da Universidade da Pensilvânia, “muito antes de chegarmos aos problemas éticos oriundos da modificação genética, teremos que lidar com as conseqüências da revolução na neurociência”. Esta pesquisa realizada com os ratos é primitiva, mas nem por isso devemos fechar os olhos para as “possíveis conseqüências”. Segundo Kate Rears, analista de regulamentos do Centro de Informações da Privacidade Eletrônica, em Washington, não se pode considerar caprichos da imaginação o fato de que os avanços tecnológicos significam tecnologia de controle humano. “Não considero sinal de paranóia reagir contra isso, porque é muito estranho. Faz lembrar ‘Admirável Mundo Novo’.” Os mais desconfiados podem ficar assustados quando souberem que foi o DARPA, o braço de pesquisa do Ministério da Defesa, quem financiou o trabalho de Talwar. A agência tem demonstrado verdadeira avidez em apoiar pesquisas envolvendo tecnologia de interface com o cérebro, pois entende que poderá no futuro ter aplicações bélicas. Animais com controle remoto poderiam atuar em missões de reconhecimento ou na busca de pessoas feridas em prédios desabados. Carregariam em suas mochilas interfaces com programas de computador ligados ao GPS, para assim serem guiados aos seus alvos. Talwar afirma que ele e sua equipe não começaram a pesquisa com a idéia de criar “ratos ninja para o jihad”. Mas é inevitável que ver ratos serem teleguiados em labirintos suscite temores de que essa tecnologia, nas mãos erradas, poderia ameaçar a autonomia das pessoas. Afinal, já nas décadas de 60 e 70, um punhado de psiquiatras fez uma tentativa nada sofisticada de alterar o comportamento das pessoas colocando eletrodos em seus cérebros. Joseph Fins, especialista em ética médica da Faculdade de Medicina Weill, da Universidade Cornell, acredita que “o legado histórico assusta e deve ser levado em consideração”. Na sua opinião, os implantes cerebrais podem ajudar as pessoas, se os dispositivos “permitirem que os pacientes tenham controle, não sejam controlados”.
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Fonte:http://www.afamilia.org/ |
TAGS: Microchip
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