Category: Crise Econômica Mundial – Notícias

O gerente francês de investimentos Rene-Thierry Magon de la Villehuchet, 65, cometeu suicídio nesta terça-feira, devido às perdas que o “hedge fund” (categoria de investimentos mais arriscados) Access International Advisors, do qual era um dos fundadores, sofreu com a fraude do ex-presidente da Bolsa Nasdaq, Bernard Madoff. Villehuchet teria perdido cerca de US$ 1,4 bilhão, segundo reportagem de hoje do diário francês “La Tribune”.

A Access International vinham levantando fundos nos mercados europeus para aplicar no esquema de Madoff, segundo o jornal. De acordo com a reportagem, Villehuchet “não conseguiu lidar com a pressão após a revelação do escândalo”. “Ele tirou a própria vida nesta manhã, em seu escritório em Nova York”, diz o “La Tribune”, citando fontes próximas ao investidor.

Segundo parentes do investidor francês ouvidos pela reportagem, ele passou “dia e noite na última semana tentando encontrar uma saída para recuperar o dinheiro de seus investidores”, mas não resistiu à “caça por culpados” lançada na Europa.

Segundo o diário americano “The New York Times”, paramédicos responderam a um chamado vindo de um endereço que correspondia ao do escritório da Access International. Na semana passada, a empresa de Villehuchet informou em uma nota que a prisão de Madoff um “desenvolvimento chocante” do caso. O dinheiro foi perdido através do fundo Luxalpha, com sede em Luxemburgo, e incluía investidores como o banco suíço UBS.

Madoff foi preso sob a acusação de ser o responsável por um esquema de pirâmide conhecido como sistema Ponzi –pelo qual são oferecidos investimentos com atraentes rentabilidades, que são abonadas com o dinheiro fornecido pelos novos investidores.

Segundo o site especializado em finanças Bloomberg, Madoff, 70, pode estar envolvido com esquemas de fraude desde ao menos os anos 60. Na semana passada, o juiz federal Gabriel Gorenstein, da Corte do Distrito Sul de Nova York, anunciou que Madoff permanecerá sob prisão domiciliar a partir das 19h (22h em Brasília) e levará uma pulseira eletrônica que permita às autoridades saber onde está o tempo todo. Além disso, o juiz exigiu que a esposa do investidor, Ruth Madoff, entregue também seu passaporte, como seu marido já fez, para evitar que possam deixar os Estados Unidos.

“Podre”

Ontem o bilionário americano e empresário do setor imobiliário Donald Trump disse que Madoff é “podre” e “um desonesto completo”. “Muitas pessoas em Palm Beach [Flórida] foram roubadas por esse podre (…) Tem gente que deu a ele 100% de suas reservas, porque confiavam nele, confiavam em sua família, e agora estão tendo de vender suas casas para poder viver”, disse Trump.

Trump disse não ter perdido dinheiro com Madoff e que é impossível que Madoff tenha agido sozinho. “Eu não sei como ele poderia ter agido sozinho. [A empresa de Madoff] ocupava três andares de um grande edifício de escritórios. Como um homem poderia manipular tanto dinheiro sem que ninguém soubesse –sem que um grande número de pessoas soubesse sobre isso? Eu certamente pensaria que os filhos dele são culpados.”

 

 

Fortunas encolhem, a recessão se instala e a crise global ameaça entrar em uma nova fase.

 

Em visita à região da China atingida por um terremoto este ano, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, advertiu: “a crise financeira virou crise econômica, e vem aí, em 2009, a crise do desemprego”. Ele teme que a onda de desemprego nos países ricos leve a medidas protecionistas que prejudicarão os países em desenvolvimento.

A ONU prevê que mais 20 milhões de pessoas em todo o mundo perderão o emprego em 2009, elevando o total mundial de desempregados para 210 milhões.

Nos Estados Unidos, que estão em recessão desde dezembro de 2007, a taxa oficial de desemprego subiu em novembro para 6,7%, ou seja, 10,3 milhões de trabalhadores. O número de pedidos de seguro-desemprego já é o mais alto dos últimos 26 anos.

Basta que uma das três montadoras de veículos americanas vá à falência para desempregar mais três milhões de americanos em 2009, prevêem os economistas. O presidente eleito Barack Obama promete criar ou manter 2,5 milhões de empregos nos próximos dois anos através de investimentos maciços do governo em infra-estrutura e tecnologia verde. Mas muitos economistas advertem que a taxa de desemprego americana poderá subir para 10% no final de 2009.

Em outra economia em recessão, a Alemanha, o governo anunciou que o número de desempregados deverá chegar a 3,6 milhões no ano que vem. O crescente desemprego está por trás dos recentes protestos em seis países da Europa.

fonte: Bom Dia Brasil

 

Propõe uma tributação mais justa e o desaparecimento dos «paraísos fiscais»

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 25 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Diante da atual situação de crise financeira, a Santa Sé propõe uma «refundação do sistema» que coloque as finanças frente ao seu objetivo natural, que é servir ao desenvolvimento e ao bem comum.

Este é um dos pontos centrais da nota divulgada pela Santa Sé diante da próxima Conferência de Doha (Qatar), que as Nações Unidas organizam sobre o financiamento para o desenvolvimento e que será realizada no final de novembro.

O documento, muito extenso, foi elaborado pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz e aprovado pela Secretaria de Estado.

Nele, expõe-se a necessidade de que as nações analisem «como se chegou à desastrosa situação atual da crise, após uma década na qual se multiplicaram os discursos sobre a ética dos negócios e das finanças, e na qual se difundiu a adoção de códigos éticos».

A Santa Sé afirma, em consonância com a opinião de muitos especialistas, que «a atual crise financeira é essencialmente uma crise de confiança», e aponta entre suas causas «a inadequada consideração dos elementos de risco», mas sobretudo, «a relação entre a necessidade de que os financiamentos cumpram sua função ‘real’ de ponte entre o presente e o futuro, e o horizonte temporal de referência dos operadores, substancialmente diminuído no presente».

Em outras palavras, a busca de benefício a curto prazo fez que os financiamentos já não cumpram sua função de promover o desenvolvimento econômico e, portanto, mais que uma «revisão», a Santa Sé aponta para a necessidade de uma total «refundação» do sistema.

Paraísos fiscais

A Santa Sé aponta como uma das causas da crise a existência dos chamados «paraísos fiscais» ou «centros financeiros offshore», culpados tanto de transmitir a crise como de ter provocado seu desenvolvimento.

Esses mercados, afirma o documento, «mantiveram uma trama de práticas econômicas e financeiras alocadas: fugas de capitais de proporções gigantescas, fluxos «legais» motivados por objetivos de evasão fiscal e canalizados também através da supra ou infra-faturação dos fluxos comerciais internacionais, reciclagem dos procedentes de atividades ilegais».

A utilização destes centros produziu um duplo efeito negativo: por um lado, beneficiou as rendas mais altas, que podem escapar do controle fiscal em seus próprios países, e penalizou as mais baixas, ou seja, os trabalhadores e as pequenas empresas; e por outro, «comportaram uma translação da taxação do capital à taxação do trabalho».

Desta forma, uma série de pessoas e instituições movem nestes centros «cerca de 860 bilhões de dólares por ano, e que corresponderiam a uma falta de entrada fiscal de quase 255 bilhões de dólares: mais de três vezes o montante inteiro da ajuda pública ao desenvolvimento por parte dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OSCE)».

A Santa Sé crê que a atual situação se deve a que «se evitou enfrentar algumas questões importantes: a estruturação dos movimentos financeiros, a prestação adequada de contas das operações nos novos instrumentos financeiros, a cuidadosa avaliação de riscos».

«Muitas autoridades, especialmente nos países financeiramente mais evoluídos, propuseram eleições pontuais, movidos pelos benefícios econômicos que derivam de hospedar uma forte indústria financeira, benefícios que duram o que dura a fase de euforia financeira.»

Uma nova moral econômica

Para a Santa Sé, a solução da crise passa por um pacto internacional em matéria financeira e fiscal, de forma que se recupere a «confiança» e a «transparência».

«Os mercados financeiros não podem operar sem confiança; sem transparência e sem regras, não pode haver confiança. O bom funcionamento do mercado requer, portanto, um importante papel do Estado, e onde é apropriado, da comunidade internacional para fixar e fazer respeitar regras de transparência e de prudência.»

Contudo, no fundo, não haverá solução enquanto não houver uma «formação da consciência moral das pessoas», já que as normas por si só «não podem garantir» o andamento da economia.

«Nenhuma intervenção de regulação pode «garantir» sua eficácia prescindindo da consciência moral bem formada e da responsabilidade cotidiana dos operadores do mercado, especialmente dos empresários e dos grandes operadores financeiros», adverte.

«O homem nunca pode ser mudado ou redimido simplesmente desde o exterior», acrescenta o documento.

Por isso, aponta, «é necessário chegar ao ser moral mais profundo das pessoas, é necessária uma educação no exercício da responsabilidade para com o bem de todos, por parte de todos os sujeitos, em todos os níveis: operadores financeiros, famílias, empresas, instituições financeiras, autoridades públicas, sociedade civil».

Esta educação na responsabilidade «pode encontrar um fundamento sólido em alguns princípios indicados pela doutrina social, que são patrimônio de todos e base de toda a vida social: o bem comum universal, o destino universal dos bens, a prioridade do trabalho sobre o capital».

A respeito disso, a Igreja crê também que é necessário repensar o próprio trabalho dos operadores financeiros, submetidos à «absoluta prioridade do capital» sobre as pessoas, com «horas de trabalho longuíssimas e estressantes, e horizonte temporal curtíssimo de referência para as decisões».

fonte: ZENIT