Category: Crise Econômica Mundial – Matérias

por GEAB [*]
Por ocasião do aparecimento do GEAB Nº 28, o LEAP/E2020 decidiu lançar um novo alerta no quadro da crise sistémica global pois nossos investigadores consideram que no Verão de 2009 o governo americano estará em cessação de pagamentos e não poderá portanto reembolsar seus credores (detentores de Títulos do Tesouro dos EUA, títulos da Fanny Mae e do Freddy Mac, etc). Esta situação de bancarrota evidentemente terá consequências muito negativas para o conjunto dos proprietários de activos denominados em dólares dos EUA. Segundo a nossa equipe, o período que então se abrirá tornar-se-á propício ao lançamento de um “novo dólar” destinado a remediar brutalmente o problema da cessação de pagamentos e da fuga maciça de capitais fora dos Estados Unidos. Este processo decorrerá dos cinco factores seguintes que são analisados mais em pormenor no GEAB Nº 28.

1- A evolução recente, em alta, do dólar é uma consequência directa e provisória da queda das bolsas mundiais

2- O “baptismo político” do euro acaba de ter lugar dando uma alternativa “de crise” ao dólar, enquanto “valor refúgio” crível

3- A dívida pública americana incha de maneira doravante incontrolável

4- O colapso em curso da economia real dos Estados Unidos impede toda solução alternativa à cessação de pagamentos.

5- “Forte inflação ou hiper-inflação nos Estados Unidos em 2009″, esta é a única questão.

Mas já se pode ter uma ideia da evolução que se aproxima examinando a Islândia, que a nossa equipe acompanha à lupa desde o princípio de 2006. Este país constitui com efeito um bom exemplo do que espera os Estados Unidos, e igualmente o Reino Unido. Pode-se considerar, tal como bom número de islandeses hoje, que o colapso do sistema financeiro foi provocado pelo facto de estar super-dimensionado em relação ao porte da economia do país.

A Islândia, em matéria financeira, deixou-se dominar pelo Reino Unidos [1] . Como em matéria financeira o próprio Reino Unidos foi dominado pelos Estados Unidos e como os Estados Unidos estão dominados por todo o planeta, não é inútil meditar no precedente islandês [2] para apreender o rumo dos acontecimentos dos próximos doze meses em Londres e em Washington [3] .

Com efeito, assistimos actualmente a um duplo fenómeno histórico:

- por um lado, desde o mês de Setembro de 2008 (como anunciado no GEAB Nº 22, de Fevereiro de 2008), o conjunto do planeta doravante está consciente da existência de uma crise sistémica global caracterizada por um colapso do sistema financeiro americano e seu contágio ao resto do planeta.

- por outro lado, actores mundiais cada vez mais numerosos tratam de agir por si mesmos diante da ineficácia das medidas preconizadas ou adoptadas pelos Estados Unidos, apesar de este ser o centro do sistema financeiro mundial desde há décadas. O exemplo da 1ª Cimeira da Eurolândia (ou Eurozona ), que se verificou domingo 12 de Outubro de 2008 e cujas decisões, pela sua amplitude (cerca de 1.700 mil milhões de euros) e sua natureza [4] , permitiram um retorno da confiança nos mercados financeiros de todo o planeta, é a este respeito inteiramente exemplar do “mundo pós Setembro de 2008″.

Pois há certamente um “mundo pós Setembro de 2008″. Para a nossa equipe, doravante é evidente que este mês ficará nos livros de história de todo o planeta como aquele “a datar” o desencadeamento da crise sistémica global; mesmo se não se tratar de facto senão da fase de “decantação”, a última das quatro fases desta crise identificada desde Junho de 2006 por LEAP/E2020 [5] . Como acontece sempre nos grandes conjuntos humanos, a percepção da mudança pela maioria não se verifica senão quando a mudança já está de facto bem avançada.

No caso presente, Setembro de 2008 marca a grande explosão do “detonador financeiro” da crise sistémica global. Segundo LEAP/E2020, este segundo semestre de 2008 é com efeito o momento em que “o mundo mergulha no coração da fase de impacto da crise sistémica global” [6] . Isto quer dizer que no fim deste semestre, segundo os nossos investigadores, o mundo entre na fase dista de “decantação” da crise, ou seja, a fase em que se vêem as consequências do choque aparecerem. É de facto a fase mais longa da crise (entre três e dez anos, conforme o país) e aquela que vai afectar directamente o maior número de pessoas e de países. É a etapa igualmente em que se delinearão os componentes dos novos equilíbrios mundiais dos quais LEAP/E2020 apresenta duas primeiras ilustrações gráficas neste GEAB Nº 28 [7] .

Assim, como temos repetido reiteradas vezes desde 2006, esta crise é muito mais importante, em termos de impacto e de consequências, que aquela de 1929. Historicamente, todos nós somos os primeiros actores, testemunhas e/ou vítimas, de uma crise que afecta todo o planeta, com um grau de interdependência sem precedentes dos países (devido à globalização destes últimos vinte anos) e das pessoas (o grau de urbanização, e portanto de dependência para as necessidades básicas – água, alimentação, energia, … – é hoje sem antecedentes na História). Entretanto, o precedente dos anos 1930 e suas terríveis consequências destruidoras parece bem presentes nas memórias colectivas para nos permitir, se os cidadãos forem vigilantes e os dirigentes lúcidos, evitar uma repetição conducente a uma (ou várias) grande(s) conflagração(ões).

Europa, Rússia, China, Japão, … constituem sem nenhuma dúvida os actores colectivos com poderes para assegurar que a implosão em curso da potência dominante destas últimas décadas, ou seja, os Estados Unidos, não conduza o planeta a uma catástrofe. Com efeito, com excepção da URSS de Gorbachov, os impérios têm tendência a tentar inutilmente inverter o curso da História quando sentem seu poder entrar em colapso. Cabe às potências parceiras canalizar pacificamente o processo, assim como aos cidadãos e elites do país afectado fazer prova de lucidez para enfrentar o período muito penoso que se prepara.

A “reparação de emergência” dos canais financeiros internacionais, realizada sobretudo pelos países da zona euro neste princípio do mês de Outubro de 2008 (8), não deve mascarar três factos essenciais:

– esta “reparação de emergência”, necessária para evitar um pânico que ameaçava engolir todo o sistema financeiro mundial em poucas semanas, não trata provisoriamente senão um sintoma. Ela não faz senão ganhar tempo, dois ou três meses no máximo, pois a recessão global e o colapso da economia americana (o gráfico acima mostra o crescimento vertiginoso dos fundos emprestados aos bancos americanos pela Reserva Federal) vão acelerar-se e criar novas tensões económicas, sociais e políticas é preciso tratar antecipadamente no próximo mês (uma vez executados os “pacotes financeiros”).

– mesmo se fosse absolutamente necessário por em andamento o sistema de crédito, os gigantescos meios financeiros consagrados por todo o planeta às “reparações de emergência” do sistema financeiro mundial serão meios que não poderão ser postos à disposição da economia real no próximo mês para enfrentar a recessão global

– a “reparação de emergência” constitui uma marginalização, e portanto um enfraquecimento suplementar dos Estados Unidos, pois ela estabelece processos contrários àqueles louvados por Washington para os US$700 mil milhões do TARP de Hank Paulson e Bernanke: uma recapitalização dos bancos pelos governos (decisão que Hank Paulson é agora obrigado a seguir) e uma garantia dos empréstimos interbancários (de facto, os governos da Eurolândia substituem-se aos seguradores de créditos, uma indústria no cerne das finanças mundiais e essencialmente americana desde há décadas). Estas evoluções afastam sempre mais ligações decisionais e fluxos financeiros para fora da órbita americana num momento em que a economia dos Estados Unidos e a explosão da sua dívidas pública (9) e privada teriam sido precisas mais do que nunca; sem sequer falar das pensões dos aposentados que se evolam em fumos [10] .

Este último ponto ilustra como, no próximo ver, as soluções para a crise e as suas diferentes sequencias (financeira, económica, social e política) vão divergir cada vez mais: aquilo que é bom para o resto do mundo não o será para os Estados Unidos [11] e doravante, com a Eurolândia à cabeça, o resto do mundo parece determinado a fazer suas próprias opções.

O choque brutal que gerará a cessação de pagamentos dos Estados Unidos no Verão de 2009 é em parte uma consequência deste desatrelamento decisional das grandes economias do mundo em relação aos Estados Unidos. É previsível e talvez seja amortecido se o conjunto dos actores começar desde já a antecipar; é aliás um dos temas desenvolvidos neste GEAB Nº 28. O LEAP/E2020 espera apenas que choque de Setembro de 2008 tenha “educado” os responsáveis políticos, económicos e financeiros do planeta a fim de compreenderem que se age melhor por antecipação do que na emergência. Seria danoso que a Eurolândia, a Ásia e os países produtores de petróleo, assim como os cidadãos americanos, descobrissem brutalmente no decorrer do Verão de 2009, depois de um fim de semana prolongado ou de um encerramento administrativo dos bancos e das bolsas no território americano durante vários dias, que os seus Títulos do Tesouro dos EUA e seus dólares não valem mais do que 10% do seu valor pois um “novo dólar” acaba de ser instaurado [12] .

Notas:

[1] A Islândia adoptou desde há mais de 10 anos todos os princípios da desregulamentação e da financiarização da economia que foram desenvolvidos e aplicados nos Estados Unidos e no Reino Unido. Reykjavik tornara-se uma espécie de “Mini-Me” financeiro de Londres e Washington, tal como o personagem do filme muito americano-britânico de Austin Powers. E os três países tentaram actuar financeiramente como “o sapo que quer se tornar tão grande quanto o boi” , como na fábula de Jean de la Fontaine cujo fim é fatal para o sapo.

[2] Assim a bolsa islandesa entrou num colapso de 76% depois de ter sido encerrada alguns dias a fim de “evitar” o pânico! Fonte: MarketWatch , 14/10/2008

[3] A este respeito, examinemos de perto o montante do “pacote financeiro” anunciado por Londres, ou seja, €640 mil milhões dos quais €64 mil milhões para recapitalizar os bancos e €320 mil milhões para suportar as dívidas a médio prazo destes mesmos bancos (fonte: Financial Times, 09/10/2008). Com uma economia em queda livre à semelhança do mercado imobiliário, uma inflação galopante, fundo de capitalização para pensões que se desvanecem em fumo e uma moeda no seu ponto mais baixo, além de aumentar a dívida pública e enfraquecer ainda mais a libra, vê-se mal como isso pode “salvar” bancos britânicos já em má situação. Ao contrário dos bancos dos países da maior parte da zona euro, o sistema financeiro britânico, tal como seu homólogo americano, está no cerne da crise, e não como uma vítima colateral. Gordon Brown pode bem comparar-se a Churchill e Roosevelt somados (fonte: Telegraph, 14/10/2008), mas com o seu evidente desconhecimento da História, ele esquece que nem Churchill nem Roosevelt haviam passado 10 anos nos comandos dos seus países quando tiveram de enfrentar as suas respectivas “grande crise” (isso vale aliás para os Estados Unidos e a administração Bush – Paulson e Bernake incluídos – que vêm todos “do problema” e portanto pouco provavelmente fazem parte “da solução”). Sem contar que Roosevelt e Churchill organizavam cimeiras como Yalta ou Teerão deixando franceses e alemães à porta, ao passo que foi ele que teve de permanecer à porta da Cimeira da Eurolândia.

[4] Fonte: L’Express , 13/10/2008

[5] Fonte GEAB N°5 , 15/05/2006

[6] Fonte: GEAB N°26 , 15/06/2008

[7] LEAP/E2020 apresenta assim uma síntese das suas antecipações sobre a fase de decantação da crise graças a um mapa mundial do impacto da crise diferenciando entre seis grandes grupos de países; assim como um calendário antecipativo 2008-2013 das quatro sequências financeira, económico, social e político para cada uma destas regiões.

[8] Pois foi a zona euro, a Eurolândia, que permitiu travar a espiral de pânico global. Desde há semanas, as iniciativas americanas e britânicas não têm tido efeito. É a irrupção de um novo actor colectivo, a “cimeira da Eurolândia” e suas decisões de envergadura que constituiu o fenómeno novo e reconfortante. Trata-se aliás de um novo actor que Washington e Londres impediram sistematicamente de emergir desde o lançamento do euro há seis anos. E foi preciso toda uma preparação diplomática (reunião prévia, foto de grupo antes da cimeira, …) para permitir ao primeiro-ministro britânico fazer crer que ele não estava marginalizado neste processo, quando ele não pertence de facto às cimeiras da zona euro. Neste GEAB Nº 28, o LEAP/E2020 reexamina este fenómeno e as consequências sistémicas duráveis da efectivação da 1ª cimeira d Eurolândia.

[9] O plano de salvamento financeiro americano já acrescentou US$17 mil à dívida de cada americano. Fonte: CommodityOnline , 06/10/2008

[10] Foram com efeito US$2 milhões de milhões de pensões por capitalização que desapareceram em fumo nos Estados Unidos nestas últimas semanas. Fonte: USAToday, 08/10/2008

[11] Pelo menos a curto prazo. Pois nossa equipe está convencida de que para o povo americano, a médio e longo prazos, não é mau de todo que o sistema dominante em Washington em Nova York seja posto em causa no fundamental. Foi efectivamente este sistema que mergulhou estes país nos problemas dramáticos em que dezenas de milhões de americanos hoje se debatem, como ilustra perfeitamente este artigo do New York Times de 11/10/2008.

[12] Mesmo que seja uma medida de pouca amplitude em relação à perspectiva de cessação de pagamentos dos Estados Unidos, aqueles que pensam que é tempo de reinvestir nos mercados financeiros podem considerar útil saber que o New York Stock Exchange acaba de rever todos os seus patamares de interrupção das cotações por causa da queda demasiado forte das mesmas. Fonte: NYSE/Euronext , 30/09/2008

15/Outubro/2008

[*] Global Europe Anticipation Bulletin

O original encontra-se em www.leap2020.eu/

Este comunicado encontra-se em http://resistir.info/ .

 

 

— ‘quando o mundo tomar consciência de que esta crise é pior que a dos anos 1930′

por GEAB [*]


O LEAP/E2020 prevê que em Março de 2009 a crise sistémica global venha a experimentar um novo ponto de inflexão de uma importância análoga ao de Setembro de 2008. Nossa equipe considera com efeito que este período do ano de 2009 será caracterizado por uma tomada de consciência geral da existência de três importantes processos desestabilizadores da economia mundial, a saber:

1. A tomada de consciência da longa duração da crise
2. A explosão do desemprego no mundo inteiro
3. O risco do colapso brutal do conjunto dos sistema de pensão por capitalização.

 

Este ponto de inflexão será assim caracterizado por um conjunto de factores psicológicos, a saber: a percepção geral pelas opiniões públicas na Europa, na América e na Ásia de que a crise em curso escapou ao controle de qualquer autoridade pública, nacional ou internacional, que ela afecta severamente todas as regiões do mundo ainda que algumas sejam mais afectadas do que outras (ver GEAB Nº 28), que ela atinge directamente centenas de milhões de pessoas no mundo ‘desenvolvido’ e que ela não faz senão pior à medida em que as consequências se fazem sentir na economia real. Os governos nacionais e as instituições internacionais têm apenas um trimestre para se prepararem para este situação que potencialmente é portadora de um risco importante de caos social. Os países menos bens equipados para gerir socialmente a ascensão rápida do desemprego e o risco crescente sobre as reformas serão os mais desestabilizados por este tomada de consciência das opiniões públicas.

 

Neste GEAB Nº 30, a equipe do LEAP/E2020 pormenoriza estes três processos desestabilizadores (dois dos quais são apresentados neste comunicado público) e apresenta as suas recomendações para enfrentar este aumento dos riscos. Além disso, este número faz também, como todos os anos, uma avaliação objectiva da fiabilidade das antecipações do LEAP/E2020, que permite precisar igualmente certos aspectos metodológicos do processo de análise que executamos. Em 2008, a taxa de êxito do LEAP/E2020 é de 80%, com uma ponta de 86% para as antecipações estritamente sócio-económicas. Para um ano de grandes perturbações, é um resultado de que estamos orgulhosos.

Como pormenorizámos no GEAB Nº 28 , a crise afectará de maneira diversificada as diferentes regiões do mundo. Contudo, e o LEAP/E2020 deseja ser muito claro acerca deste ponto, ao contrário dos discursos actuais dos mesmos peritos que negavam a existência de uma crise em gestação há três anos, que negavam que ela fosse global há dois anos e que negavam há apenas seis meses que ela seja sistémica, nos antecipámos uma duração mínima de três anos para esta fase de decantação da crise [1] . Ela não estará terminada nem na Primavera de 2009, nem no Verão de 2009, nem no princípio de 2010. É só nos fins de 2010 que a situação começará a se estabilizar e a melhorar um pouco em certas regiões do mundo, a saber na Ásia e na zona Euro, assim como para os países produtores de matérias-primas energéticas minerais ou alimentares [2] . Alhures, ela continuará. Em particular nos Estados Unidos e no Reino Unido e nos países mais ligados a estas economias, em que ela se inscreve numa lógica decenal. É apenas por volta de 2018 que estes países podem encarar um retorno ao crescimento real.

 

Além disso, não se pode imaginar que a melhoria do fim de 2010 assinalará o retorno a um crescimento forte. A convalescença será longa. As bolsas, por exemplo, precisarão igualmente de uma década para retornar aos níveis do ano de 2007, se elas ali chegarem um dia. É preciso recordar que a Wall Street precisou de 20 anos para retornar aos seus níveis do fim dos anos 1920. Ora, segundo o LEAP/E2020 esta crise é mais profunda e durável que aquela dos anos 1930. Esta tomada de consciência da longa duração da crise vai progressivamente tornar-se clara junto às opiniões públicas no decorrer do próximo trimestre. E ela desencadeará imediatamente dois fenómenos portadores de instabilidade sócio-económica: o medo pânico do amanha e a crítica reforçada dos dirigentes do país.

 


O risco de colapso brutal do conjunto dos sistemas de pensão por capitalização

 

Finalmente, no quadro das consequências da crise que afectarão directamente dezenas de milhões de pessoas nos Estados Unidos, no Canadá, no Reino Unido, no Japão, na Holanda e na Dinamarca em particular [3] , é preciso integrar o facto de que a partir deste fim de ano de 2008 vão multiplicar-se noticias referentes a perdas maciças dos organismos que gerem activos destinados a financiar estas reformas. A OCDE estima e US$4 milhões de milhões as perdas dos fundos de pensão apenas para o ano de 2008 [4] . Na Holand [5] assim como no Reino Unido [6] , os organismos de vigilância dos fundos de pensão acabam de lançar gritos de alarme exigindo com urgência um acréscimo das quotizações obrigatórios e uma intervenção do Estado. Nos Estados Unidos, são anúncios múltiplos de aumento das contribuições e de diminuição dos pagamentos que são emitido a um ritmo crescente [7] . E é só nas próximas semanas que numerosos fundos vão poder fazer realmente o cálculo do que perderam [8] . Muitos iludem-se ainda sobre a sua capacidade de reconstituir o seu capital no momento de uma próxima saída da crise. Em Março de 2009, quando gestores de fundos de pensão, reformados e governos vão simultaneamente tomar consciência de que a crise vai durar, que ela vai coincidir com a chegada maciça dos “babyboomers” à aposentadoria e que as bolsas tem pouco probabilidade de recuperar antes de longos anos os seus níveis de 2007 [9] , o caos vai instalar-se neste sector e os governos vão se aproximar cada vez mais da obrigação de intervir para nacionalizar todos estes fundos. A Argentina, que tomou esta decisão há alguns meses, surgirá então como um precursor.

 

Todas estas tendências já estão em curso. A sua conjunção e a tomada de consciência pelas opiniões públicas das consequências que elas implicam constituirá o grande choque psicológico mundial da Primavera de 2009, a saber, que estamos todos mergulhados numa crise pior que aquela de 1929; e que não há saída possível da crise a curto prazo. Esta evolução terá um impacto decisivo sobre a mentalidade colectiva mundial dos povos e dos decisores e modificará pois consideravelmente o processo do desenrolar d crise no período que se seguirá. Com mais de ilusões e menos de certezas, a instabilidade sócio-política global vai aumentar consideravelmente.

 

Finalmente, este GEAB Nº 30 apresenta igualmente uma série de 13 perguntas/respostas a fim de ajudar de maneira quase interactiva os poupadores/investidores/decisores a melhor compreender e antecipar os desenvolvimentos a acontecer da crise sistémica global:

 

1- Esta crise será diferente das crise que anteriormente afectaram o capitalismo?
2- Esta crise será diferente da crise dos anos 1930?
3- A crise será tão grave na Europa e na Ásia quanto nos Estados Unidos?
4- As medidas empreendidas actualmente pelos Estados do mundo inteiro serão suficiente para jugular a crise?
5- Quais os principais riscos que pesam sobre o sistema financeiro internacional? E todas as poupanças são iguais face à crise?
6- A zona Euro constituirá uma verdadeira protecção contra os piores aspecto da crise? E o que poderia ela fazer para melhorar este estatuto?
7- O sistema de Bretton Woods (sob a sua última versão dos anos 1970) está em vias de afundar? O euro deve substituir o dólar?
8- O que se pode esperar do próximo G20 em Londres?
9- Pensa que a deflação seja actualmente a maior ameaça que paira sobre as economias mundiais?
10- Pensa que o governo Obama estará em condições de impedir os Estados Unidos de soçobrar na “Muito grande depressão americana”?
11- Em termos de moedas, para além da vossa antecipação referente à retomada da queda do dólar dos EUA ao longo de todos os próximos meses, pensa que a libra esterlina e o franco suíço sejam sempre moedas de estatuto internacional?
12- Pensa que o mercado dos CDS esteja a ponto de implodir? E quais seriam as consequências de um tal fenómeno?
13- A “bolha dos Títulos do Tesouro dos EUA” estará a ponto de explodir?


16/Dezembro/2008
Notas:
(1) Acerca desta crise é útil ler uma contribuição muito interessante de Robert Guttmann publicada no 2º semestre de 2008 no sítio web Revues.org , apoiado pela Maison des Sciences de l’Homme Paris-Nord..
(2) São as matérias-primas que começam a relançar o mercado do transporte marítimo internacional. Fonte: Financial Times, 14/12/2008
(3) Um vez que são os países que mais desenvolveram os sistemas de reforma por capitalização. Ver GEAB Nº 23 . Mas também é o caso da Irlanda. Fonte: Independent, 30/11/2008
(4) Fonte: OCDE , 12/11/2008
(5) Fonte: NU.NL , 15/12/2008
(6) Fonte: BBC , 09/12/2008
(7) Fontes: WallStreetJournal, 17/11/2008 ; Phillyburbs , 25/11/2008 ; RockyMountainNews , 19/11/2008
(8) Fonte: CNBC , 05/12/2008
(9) E não mencionamos sequer a influência da explosão da bolha dos Títulos do Tesouro dos EUA que também afectará brutalmente os fundos de pensão. Ver Q&A, GEAB N°30.

 

[*] Global Europe Anticipation Bulletin.

O original encontra-se em www.leap2020.eu

Este comunicado encontra-se em http://resistir.info/

 

Tradução: Otávio Fernandes

Possível resistência local poderia requerer intervenção militar para rapidamente determinar os parâmetros definindo a legitimação do uso de forças militares dentro dos EUA.

Um recente relatório produzido pelo instituto estratégico do colégio de guerra dos EUA alerta que o país poderia experimentar uma onda de prisões de civis como resultado de uma série de crises que seria conhecida como “choque estratégico.

O relatório intitulado Conhecendo o desconhecido: Choques estratégicos inconvencioinais em defesa de uma estratégia de desenvolvimento, também sugere que os militares poderiam ser utilizados para conter desordens domésticas.

“Violência civil generalizada em todos os cantos dos EUA poderia forçar a defesa da classe dirigente a reorientar as atividades ao extremo para defender a segurança humana e a ordem básica local” diz o relatório autorizado pelo LT Col. Nathan.

“Emprego deliberado de armas de destruição em massa ou outras capacidades catastróficas, colapso econômico imprevisto, perda da política funcional e da ordem legal, resistências locais ou insurgências, calamidades na saúde pública, catástrofes naturais e desastres humanos são todos caminhos para um choque local”, continuou.

“O governo americano e o estabelecimento da defesa nos convenceriam a uma aceitação de que através de uma ordem de segurança local, em longo prazo seriamos forçado a rapidamente a nos livrarmos de alguns dos maiores compromissos de segurança externa de maneira a deixarmos a nossa insegurança em casa..”

Já na predisposição de impor à primazia das autoridades civis em função a segurança local e da liberdade de todos. Porém, as maiores exigências em áreas como a ajuda civil e a conseqüência da direção, DOD poderia ser forçado por circunstancias a colocar seus amplos recursos a disposição de autoridades civis de maneira a conter a ameaça a tranqüilidade local.

Em piores circunstancias isto poderia incluir o uso de forças militares contra grupos rebeldes dentro dos EUA.

Freir é um alto membro do programa de segurança internacional no centro estratégico de estudos internacionais( CSIS). Ele se alistou ao “Think Tank” em abril de 2008, após ter se aposentado do exército norte americano depois de 20 anos como tenente e coronel. Em seu papel na CSIS, ele passou bastante tempo com importantes figuras globais incluindo Zbigniew Brzezinski, Henry Kissinger, Brent Scowcroft and Richard Armitage.

“ A atual administração se confronta com uma mudança de jogo no “ strategic shock “ dentro dos seus primeiros 8 meses no escritório, “ diz o relatório. A próxima administração seria bem aconselhada para esperar o mesmo durante o curso do seu primeiro termo. Também, as adversidades são muito grandes contra qualquer desafio que rotineiramente estão no topo da agência de defesa, desencadeando a próxima linha divisória dentro da DoD( departamento de defesa).

Nós recentemente temos ressaltado os planos para mobilização de um aumento considerável de tropas dos EUA dentro do país com propósito de “segurança doméstica” desde setembro de 2001, até a expansão da militarização dos northcom,, visando uma expansão da atividade militar do país em preparação para possíveis insurgências civis seguido de um total colapso econômico ou um ataque terrorista em massa.

“ O exército dos EUA espera contar com 20000 tropas uniformizadas dentro do seu território até 2011 treinadas para ajudar oficiais locais e do estado a responder a um ataque terrorista nuclear ou outra catástrofe doméstica, de acordo com oficiais do pentágono”, como relatou o Washington Post mês passado.

“ No artigo de 8 de setembro da Army Times, Northcom anunciou que a primeira onda de mobilização de tropas foi feita em 1 de outubro, na base da força aérea no Colorado que teria como prioridade o controle de revoltas civis e da população.“

Após a polêmica envolvendo o artigo, a Northcom se retratou da afirmação, mas admitiu que tanto armamentos letais quanto não letais normalmente usados contra revoltas da população e situações de desordem poderiam ser usados no campo.

A crescente militarização da America faz parte de uma antiga agenda para abolir as regras da constituição e estabelecer uma forma de governo militar, seguido por uma larga escala de ataque terrorista ou desastres similares, como fala Tommy Franks, o primeiro comandante do “military’s central Command .

Franks resumiu o cenário pelo qual a lei Marcial poderá ser colocada em prática dizendo, “Poderia ocorrer a necessidade do uso de armas de destruição em massa, massiva, através da produção casual de um evento em algum lugar do mundo ocidental- possivelmente os EUA- de uma forma na qual nossa população questionaria nossa própria constituição e o começo da militarização do nosso país, de maneira a evitar a repetição de outro caos, que de fato destruiria as estruturas da nossa constituição. Dois passos, muito, muito importantes.

Em suma, a utilização de tropas nacionais seria um meio de combate a revoltas civis que viria como resultado de um completo caos econômico seguido por um intenso período de hiper inflação.

Esse alerta foi, mas uma vez repetido alguns dias atrás em um comunicado interno do Citibank que foi vazado.

“O mundo não voltará ao normal depois da magnitude do que foi feito. Quando a poeira se estabilizar, ela irá trabalhar, e todo o dinheiro que foi investido irá nos conduzir para um choque inflacionário”, escreveu Tom Fitzpatrick, chefe de técnicas estratégicas do Citybank.

Esse alerta foi, mas uma vez repetido alguns dias atrás em um comunicado interno do Citibank que foi vazado.

Naturalmente, a afirmação de que a disposição de tropas seria somente para nos prevenir de um desastre é uma forma de encobrir e nos distrair da verdadeira meta. No caso de uma real tragédia ocorrer, voluntários e organizações de ajuda civil são altamente capazes de lidar com tais eventos, como já testemunhamos em 11/9.

Os militares são primariamente treinados para matar pessoas e quebrar as coisas, e seus papéis em ajuda as vítimas do furacão Katrina foram de impedir as pessoas de irem á estádios esportivos, alegando que saqueadores estavam confiscando armas em casas de luxo nas áreas secas e altas das cidades, enquanto medidas reais de recuperação estavam sendo feitas por voluntários e autoridades locais.

A admissão de maneira aberta que as tropas americanas estariam envolvidas em operações forçadas de cumprimento de lei e a possibilidade do uso de armas não letais contra cidadãos americanos é uma completa violação ao “Posse Comitatus Act and the Insurrection Act”, que limita os poderes do governo federal no uso de tropas para o cumprimento de leis, a não ser em ocasiões extremas.

Seção 1385 da Posse Comitatus Act afirma, “ qualquer membro, exceto em casos de extremas circunstâncias expressamente autorizados pela constituição ou ato do congresso, o uso não autorizado de qualquer parte do exército ou da força aérea como posse deverá ser punido com pagamento de fiança ou receber um mandato de prisão por não mais que 2 anos, ou então ambos.”

“Por meio de John Warner, um ato de autorização de defesa foi assinado pelo presidente Bush em 17 de outubro de 2006, a lei foi alterada, “ O presidente poderá disponibilizar tropas militares para restaurar a ordem pública em qualquer estado dos EUA limitando assim a execução de leis tirando dessa forma o direito, a imunidade, privilégio, ou proteção assegurados na constituição e assegurado por lei ou se opondo ou obstruindo a execução das leis americanas ou impedindo o cumprimento da justiça através dessas leis”.

Entretanto, essas mudanças não foram aceitas em sua totalidade pelo National Defense HR 4986: National Defense Authorization Act for Fiscal Year 2008, retomando a declaração original do ato de insurreição de 1807. Apesar da negação, o presidente Bush atacou a sentença dizendo não estar de acordo com o conteúdo. Porém, não se sabe ainda se o presidente eleito Obama irá se opor a declaração assinada de Bush.

O texto original do ato de insurreição limita severamente o pode do presidente. Para disponibilizar tropas dentro do território Americano.

Para que as tropas sejam disponibilizadas, a condição seria que ocorresse uma limitação na execução das leis dos estados americanos e dos EUA dentro desses estados, na qual pessoas de todas as classes sociais teriam restringidos seus direitos, privilégios, imunidade ou nome protegido na constituição e assegurado por lei, e as autoridades constitucionais dos estados são incapazes e se recusam a dar essa proteção; ou oposição ou obstrução a execução da lei dos EUA, ou impedir o curso da justiça sobre essas leis. Em qualquer situação coberta pela clausula (1),ao estado será negado a igual proteção das leis assegurada pela constituição.

Estaria a administração do presidente eleito e a Northcom esperando por tal cenário para pôr o plano em prática, um evento que derrotaria as autoridades dos estados, antes de colocar as tropas nas ruas contra o povo norte americano.

“Um grande número de tratados e acordos serão testados severamente. Sob essas condições e na sua extrema violência, autoridades civis em defesa da estabilidade precisariam definir rapidamente os parâmetros para legitimação do uso de forças militares dentro do território dos EUA… Mais, o completo conceito de terminação do conflito e a transição para a prioridade na segurança de instituições civis poderia estar indo para um terreno desconhecido. DoD já é desafiado por uma estabilização externa”, imagine os desafios assossiados de fazer isso em uma larga escala em casa.” relata Freir’s.

O uso de tropas da guarda nacional para ajudar no cumprimento da lei ou em casos de grandes desastres é legal, porém o uso de tropas para o cumprimento de leis dentro dos EUA em condições descritas no Insurrection Act é completamente ilegal.

Políticos de direita e esquerda precisam reunir forças para denunciarem esse plano pelo que ele representa- outro passo inconstitucional para a implementação da lei marcial e a militarização da América.

fonte: Prison Planet