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América Latina em recessão, Brasil estagnado: JPMorgan vê 2009 com pessimismo

January 3rd 2009 in Crise Econômica Mundial - Matérias

12/12/2008

SÃO PAULO – Impressionados com a rápida deterioração do cenário econômico na América Latina, os analistas do Morgan Stanley cortaram novamente as projeções para 2009, prevendo não somente um panorama difícil, mas também recessivo.

“À luz da severidade do declínio e persistência dos riscos de declínio para a economia global, nós estamos cortando nossas previsões para a América Latina pela segunda vez. Nós agora esperamos que a região contraia 0,4% em 2009″, informa a equipe do banco, prevendo o pior declínio desde 1983. A projeção anterior era de crescimento de 1,5%.

Segundo eles, nenhum país sairá ileso desta crise: os cinco anos de abundância e crescimento acima da média chegaram ao fim, deixando em foco apenas as preocupações em relação à duração e intensidade dos problemas financeiros internacionais.

Às vésperas de 2009, um ponto positivo…

Na análise do Morgan Stanley, a América Latina possui um ponto inegavelmente positivo. Os cinco anos de avanço foram bem aproveitados, levando a uma massiva acumulação de reservas, melhoras nas contas correntes e nos resultados fiscais. Dessa forma, ela entra nesta crise mais bem preparada do que em períodos de declínio anteriores.

“Nós começamos a ver alguns desequilíbrios no crescimento das contas correntes neste ano”, contam os analistas. Porém, eles acreditam que o processo de ajuste fiscal e da conta corrente provavelmente será menos doloroso do que foi no passado. “Resumindo, a América Latina parece estar em muito melhor forma para lidar com um declínio da economia global do que no passado”.

…e dois negativos

Contudo, embora o ponto de partida da América Latina seja melhor hoje, ele não supera todos os problemas a serem enfrentados, principalmente aqueles referentes a condições internas da região. Olhando para 2009, o Morgan Stanley ressalta dois pontos que pedem cautela em relação à América Latina.

O primeiro é o espaço limitado das autoridades monetárias para se engajarem em políticas contra-cíclicas, que provavelmente não resultarão em estímulos significativos para a região, segundo a instituição. A conclusão parte de três pontos:

Devido ao histórico inflacionário da região, os bancos centrais não devem cortar agressivamente os juros básicos;

O nível de intermediação financeira e o papel do crédito são limitado na região;
Com os declínios na confiança do consumidor, o crescimento do crédito não deve exercer um papel importante no impulso da atividade econômica.

O segundo ponto negativo ressaltado pelo Morgan Stanley é o risco de haver deslize ou reversão da política monetária. “Nós não ficaríamos surpresos de ver uma tendência regulatória através da região que poderia levar a nacionalizações”.

Conforme a análise do banco, ainda é muito cedo para afirmar que haverá tais problemas na América Latina, porém, com as políticas adotadas nos países desenvolvidos remetendo a movimentos de nacionalização, o risco é que os países latino-americanos adotem políticas adaptadas e acabem por gerar regulações onerosas.

Brasil

As projeções para o Brasil não são muito melhores, com o banco prevendo crescimento nulo da economia do País em 2009. Além disso, o Morgan Stanley também prevê uma maior depreciação do real frente ao dólar. Se antes as estimativas apontavam para a moeda norte-americana a R$ 2,30 ao final do próximo ano, agora as projeções são de R$ 2,70.

De acordo com o analista Marcelo Carvalho, o Brasil provavelmente está em recessão, iniciada no quarto trimestre deste ano. Um dos maiores problemas, segundo Carvalho, é a previsão de menores investimentos em 2009, já que o capex (capital de investimento) deve registrar forte redução e passar ao campo negativo no próximo ano.

“Enquanto a economia afunda em território de recessão, o Banco Central pode escolher acomodar parcialmente a superação da meta de inflação”, afirma o Morgan Stanley, acrescentando que, na opinião de seu analista, o Banco Central não está apressado para cortar agressivamente a taxa básica de juro, o que deve acontecer no final de 2009.

fonte: UOL Econômia


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